Construir uma casa é, para a maioria das pessoas, o maior investimento que vão fazer na vida. E ao contrário de comprar um carro ou um eletrodoméstico, não há uma «ficha técnica» fácil de comparar entre construtoras — o que faz com que a escolha seja, muitas vezes, feita por confiança, recomendação de um amigo, ou simplesmente pelo primeiro orçamento que chega. Este guia junta as perguntas concretas que deve fazer antes de assinar qualquer contrato, independentemente do método construtivo escolhido — tradicional, LSF, modular ou outro.
1. Confirme o alvará de construção
Em Portugal, qualquer empresa que execute obras de construção acima de determinado valor precisa de alvará de construção emitido pelo IMPIC (Instituto dos Mercados Públicos, do Imobiliário e da Construção). Peça sempre o número de alvará e confirme-o diretamente no site do IMPIC — é gratuito e demora menos de um minuto. Uma empresa séria nunca vai hesitar em partilhar este número.
2. Peça para ver obras já concluídas
Fotografias no site são um bom início, mas não substituem ver — ou falar com alguém que viveu — o processo todo. Peça para visitar pelo menos uma obra concluída ou em fase final, e, se possível, fale diretamente com esse cliente sobre prazos reais, comunicação durante a obra e se o preço final bateu certo com o orçamento inicial.
3. Compare orçamento fechado vs. orçamento «a abrir»
Esta é provavelmente a diferença mais importante entre construtoras. Um orçamento fechado (preço por m² definido à partida, com o que está incluído explícito) protege-o de surpresas a meio da obra. Um orçamento «a abrir» — onde só se sabe o custo real no final — é onde a maioria dos casos de derrapagem de custos em Portugal acontece, com aumentos de 20 a 30% durante a execução não sendo incomuns. Pergunte sempre: «o que acontece se algo não estiver previsto no orçamento inicial?»
4. Pergunte pelos prazos — e o que acontece se não forem cumpridos
Todas as construtoras prometem prazos curtos numa reunião inicial. A pergunta certa não é «quanto tempo demora», mas sim: «o que está escrito no contrato sobre atrasos?» Se não há qualquer cláusula ou penalização prevista, o prazo apresentado é apenas uma estimativa verbal, sem qualquer garantia real.
5. Perceba exatamente o que a garantia cobre
Por lei, a garantia mínima para defeitos estruturais em construção nova em Portugal é de 5 anos, mas cada construtora pode oferecer mais. Confirme por escrito: o que está coberto (estrutura? isolamento? acabamentos?), durante quantos anos, e qual é o processo se precisar de acionar a garantia — quem contacta, em quanto tempo respondem.
Sinais de alerta a levar a sério
Desconfie se a construtora...
- Pede o pagamento total (ou a grande maioria) adiantado, antes de qualquer trabalho visível.
- Não tem contrato escrito, ou o contrato não especifica materiais, prazos e garantias.
- Não consegue mostrar nenhuma obra concluída ou em curso.
- Apresenta um preço muito abaixo de todas as outras propostas, sem explicação clara do porquê.
- Evita responder diretamente a perguntas sobre alvará ou seguros de responsabilidade civil.
Checklist rápido antes de assinar
- Número de alvará confirmado no site do IMPIC
- Pelo menos uma obra concluída visitada pessoalmente
- Orçamento fechado, com o que está incluído por escrito
- Prazos e penalizações por atraso especificados em contrato
- Garantia por escrito, com anos e cobertura claros
- Seguro de responsabilidade civil da obra confirmado
Nenhuma destas perguntas é invasiva ou desconfiada de mais — são exatamente o que qualquer construtora séria espera que lhe perguntem, e o que na Eco Vila mostramos com prazer a quem nos contacta: alvará, pacotes com preço fechado por m² (veja aqui), projetos já construídos com áreas e dimensões reais (veja aqui), e garantia de 10 anos.
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